terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O Amor é Muito Difícil


Penso que o amor é muito difícil. Existem muitos obstáculos a que possa ser o absoluto que é. A palavra amor é uma palavra muito gasta, muito usada, e muitas vezes mal usada, e eu quando falo de amor faço-o no sentido absoluto... há uma série de outros sentimentos aos quais também se chama amor e que não o são. No amor é preciso que duas pessoas sejam uma e isso não é fácil de encontrar. E, uma vez encontrado, não é fácil de fazer permanecer.



José Luís Peixoto, in 'Notícias Magazine (2003)'


sábado, 25 de dezembro de 2010

Todas as Nossas Paixões se Justificam a Si Próprias


Existem duas ocasiões distintas em que examinamos a nossa própria conduta e buscamos vê-la sob a luz em que o espectador imparcial a veria: primeiro, quando estamos prestes a agir; e, segundo, depois que agimos. Em ambos os casos os nossos juízos tendem a ser bastante parciais, mas eles tendem a tornar-se ainda mais parciais quando seria da maior importância que não fossem. Quando estamos prestes a agir, a veemência da paixão raramente nos permitirá considerá-la com a isenção de uma pessoa neutra. As violentas emoções que nesse momento nos agitam distorcem os nossos juízos sobre as coisas, mesmo quando buscamos colocar-nos na situação de outra pessoa. (...) Por essa razão, como diz Malebranche, todas as nossas paixões se justificam a si próprias, e parecem razoáveis e proporcionais aos seus objectos enquanto nós estivermos a senti-las. (... ) A opinião que cultivamos do nosso próprio carácter depende inteiramente dos nossos juízos acerca da nossa conduta passada. Mas é tão desagradável pensarmos mal de nós mesmos que amiúde afastamos propositadamente o nosso olhar das circunstâncias que poderiam tornar o julgamento desfavorável. (...) Esse auto-engano, essa fraqueza fatal dos homens, é a fonte de metade das desordens da vida humana. Se pudéssemos ver-nos como os outros nos vêem, ou como veriam se estivessem a par de tudo, uma reforma geral seria inevitável. Seria impossível, de outro modo, suportar a visão.


Adam Smith, in 'A Teoria dos Sentimentos Morais'

O barquinho



♪♫Dia de luz
Festa de sol
E um barquinho a deslizar
No macio azul do mar
Tudo é verão e o amor se faz
Num barquinho pelo mar
Que desliza sem parar
Sem intenção, nossa canção
Vai saindo desse mar e o sol
Beija o barco e luz
Dias tão azuis
Volta do mar desmaia o sol
E o barquinho a deslizar
É a vontade de cantar
Céu tão azul ilhas do sul
E o barquinho, coração
Deslizando na canção
Tudo isso é paz, tudo isso traz
Uma calma de verão e então
O barquinho vai
A tardinha cai
O barquinho vai.. ♪♫

(Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Amor não Tem nada que Ver com a Idade


Penso saber que o amor não tem nada que ver com a idade, como acontece com qualquer outro sentimento. Quando se fala de uma época a que se chamaria de descoberta do amor, eu penso que essa é uma maneira redutora de ver as relações entre as pessoas vivas. O que acontece é que há toda uma história nem sempre feliz do amor que faz que seja entendido que o amor numa certa idade seja natural, e que noutra idade extrema poderia ser ridículo. Isso é uma ideia que ofende a disponibilidade de entrega de uma pessoa a outra, que é em que consiste o amor.

Eu não digo isto por ter a minha idade e a relação de amor que vivo. Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e se acontece, há que recebê-lo. Normalmente, quem tem ideias que não vão neste sentido, e que tendem a menosprezar o amor como factor de realização total e pessoal, são aqueles que não tiveram o privilégio de vivê-lo, aqueles a quem não aconteceu esse mistério.

José Saramago, in "Revista Máxima, Outubro 1990"

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Um presente especial


Minha ursinha,

Mais que um presente especial... É algo mais que uma simples canção possa traduzir o carinho e, o amor; não há como expressar em palavras e agradecimentos. Obrigada pelo infinito carinho que tens por mim!

♪♫... Luz das estrelas
Laço do infinito
Gosto tanto dela assim... ♪♫

♪♫... Céu de Brasília
Traço do arquiteto
Gosto tanto dela assim... ♪♫

- Djavan -

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A tristeza permitida


Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair para compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito mais séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.

“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago de razão/ eu ando tão down…” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar o seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinicius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.

- Martha Medeiros in “Doidas e Santas”









Tupperware


Meteu a mão no peito e tirou dele o coração, que
guardou numa tupperware com tampa amarela
na prateleira mais baixa da geladeira. Só para se
prevenir. Nunca se sabe o que pode acontecer
quando se leva o coração a uma despedida.

- André Gonçalves in “Coisas de amor largadas na noite”

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


Todo mundo tem dois olhos para ver, que coisa estranha.
É preciso ver a realidade que se esconde além, onde a vista
não alcança. Sob o manto diáfano da fantasia, a nudez forte da verdade.

Fernando Sabino in “0 Encontro Marcado

domingo, 14 de novembro de 2010

Busque amor


“Busque amor novas partes, novo engenho
para matar-me, e novas esquivanças,
que não pode tirar-me as esperanças;
que mal me tirarão o que eu não tenho.

“Olhai que de asperezas me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes, nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido lenho.

“Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá m’esconde
amor um mal, que mata e não se vê.

“Que dias há que n’alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei donde,
vem não sei como, e dói não sei porquê”.


(Camões)

Ciúmes e Relacionamento


“O problema de um relacionamento nunca é o ciúme, é a indiferença. (…)
É claro que é legal respeitar a solidão do outro, mas há um individualismo que de certa forma não faz a gente querer um amor, mas uma amizade. Não queremos nos desesperar por alguém, queremos mesmo é evitar o sentimento extremado. Se você pode sair e voltar a qualquer hora, se você tem o controle do que você pede num relacionamento, isso é tudo menos amor. Os relacionamentos hoje são mais acordos do que entregas, mas na verdade queremos alguém que possa nos reconhecer. (…)
Porque amor é justamente isso, é ficar inseguro, é ter aquele medo de perder a pessoa todo dia, é ter medo de se perder todo dia. É você se ver mergulhado, enredado, em algo que você não tem mais controle. Mas aí o que fazemos? Amamos com limite para não sofrer.”

(Fabrício Carpinejar)

Felicidade



1. invólucro onde se guardam sorrisos;

2. momento em que os ponteiros do relógio decidem dançar valsa;

3. líquido viscoso que escorrega por entre os dedos;

4. pedaço de gente com cheiro de talco;

5. movimento espontâneo dos cantos da boca em direção às orelhas;

6. sobrenome do azul;

7. olodum dentro do peito;

8. conjunto de círculos concêntricos em rubro e branco para onde se atiram dardos em forma de coração;

9. roçar de pés por sob o cobertor em noites com temperatura inferior a 18 graus;

10. tia-avó da alegria;

11. erva da qual se faz um chá afrodisíaco;

12. movimento elíptico do Sol em torno do ser amado;

13. nome dado à gota salgada que despenca dos olhos em dia de festa;

14. sensação de se ter feito o que se deveria ter feito;

15. oitava cor do arco-íris;

16. retângulo onde se inserem flagrantes registrados em nitrato de prata;

17. desejo súbito de voar;

18. distúrbio psicológico que causa avalanche de gargalhadas;

19. silêncio que se segue à trovoada;

20. exibição permanente da arcada dentária sem motivos justificados aos olhos dos desprovidos de inocência. (Ex.: “Vem, amor, me dá um beijo e me arranha as costas, que hoje eu quero sentir o gosto da felicidade.”



- André Gonçalves in “Coisas de Amor Largadas na Noite”

Quero que saibam


Discretamente, enviei sinais de socorro aos amigos. Ninguém ajudou. Me virei sozinho. Isso me endureceu um pouco mais. Não foi só você, não. Foram também pessoas até mais íntimas, (…) me virei sozinho com enormes dificuldades. Não me lamuriei. Mas preciso que as pessoas saibam que isso doeu — exatamente porque algumas destas pessoas (…) importam para mim.
 
Caio F. Abreu in “Cartas”


Nós


“A mulher apaixonada tenta ver com os olhos dele; lê os livros que ele lê, dá preferência à música que ele prefere, só se interessa pelas paisagens que vê com ele, nas idéias que vêm dele, adota as amizades, as inimizades, as opiniões dele, quando se questiona, é a resposta dele que tenta ouvir (…) A suprema felicidade da mulher apaixonada é ser reconhecida pelo homem amado como parte dele, quando ele diz “nós”, ela está associada e identificada com ele, compartilha do seu prestígio e reina com ele sobre o resto do mundo: nunca se cansa de repetir – até o exagero – esse deleitável “nós”

(Tête-à-Tête de Hazel Rowley)

Cantico VI


Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.

- Cecília Meireles

Violão


Divino, delicioso instrumento que se casa tão bem com o amor e tudo o que, nos instantes mais belos da natureza, induz ao maravilhoso abandono! E não é à toa que um dos seus mais antigos ascendentes se chama viola d’amore, como a prenunciar o doce fenômeno de tantos corações diariamente feridos pelo melodioso acento de suas cordas… Até na maneira de ser tocado – contra o peito – lembra a mulher que se aninha nos braços do seu amado e, sem dizer-lhe nada, parece suplicar com beijos e carinhos que ele a tome toda, faça-a vibrar no mais fundo de si mesma, e a ame acima de tudo, pois do contrário ela não poderá ser nunca totalmente sua.

Ponha-se num céu alto uma Lua tranqüila. Pede ela um contrabaixo? Nunca!
Um violoncelo? Talvez (…).

E o que pede então (direis) uma Lua tranqüila num céu alto? E eu vos responderei: um violão. Pois dentre os instrumentos musicais criados pela mão do homem, só o violão é capaz de ouvir e de entender a Lua.


Vinicius de Moraes in “Pra viver um grande amor”

domingo, 7 de novembro de 2010

O Convite da Loucura


A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa. Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:
- Vamos brincar de esconde-esconde?

- Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade.

- Esconde-esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar.

Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.

-1,2,3,... - a Loucura começou a contar.

A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer. A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore. A Alegria correu para o meio do jardim. Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder. A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra.

A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo.

O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove.

CEM! - gritou a Loucura! - Vou começar a procurar...

A primeira a aparecer foi a Curiosidade, já que não aguentava mais, querendo saber quem seria o próximo a contar.

Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca, sem saber em qual dos lados se esconder. E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez... Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou:

- Onde está o Amor? Ninguém o tinha visto. A Loucura começou a procurá- lo.

Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer. Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito. Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espinho.

A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu segui-lo para sempre. O Amor aceitou as desculpas. Por isso é que até hoje o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre.

Autor Desconhecido.


















sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Amar era tão infinitamente melhor


“Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos.”



- Lya Luft

Ser adulto é ser cego



São as crianças que vêem as coisas – porque elas as vêem sempre pela primeira vez com espanto, com assombro de que elas sejam do jeito como são. Os adultos, de tanto vê-Ias, já não as vêem mais. As coisas as mais maravilhosas – ficam banais. Ser adulto é ser cego.


Rubem Alves


Por causa de uma namorada


Esqueça o que lhe disse. Um dia conversaremos sobre isso. Não dê importância, hoje eu estou chateado, amargurado, pessimista. Estava esperando um telefonema, ela não me telefonou. Você vê como são as coisas: por causa de uma namorada a gente chega a emitir conceitos sobre Deus e o mundo, sobre literatura, dizer que a vida é uma merda.


Fernando Sabino in “0 Encontro Marcado”

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Por Causa De Você Menina


Por causa de você bate em meu peito
Baixinho, quase calado
Coração apaixonado por você

Menina... Menina que não sabe quem eu sou
Menina que não conhece o meu amor (...) ♪♫

(Jorge Ben Jor)

Download: 02 Por Causa De Você Menina.mp3

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mensagem a Alunos e Professores


A arte mais importante do professor é a de despertar a alegria pelo trabalho e pelo conhecimento.
«Queridos estudantes!
Regozijo-me por vos ver hoje diante de mim, alegre juventude de um país abençoado.
Lembrai-vos de que as coisas maravilhosas que ireis aprender nas vossas escolas são a obra de muitas gerações, levada a cabo por todos os países do mundo, à custa de muito entusiasmo, muito esforço e muita dor. Tudo é depositado nas vossas mãos, como uma herança, para que a aceitem, honrem, desenvolvam e a transmitam fielmente um dia aos vossos filhos. Assim nós, embora mortais, somos imortais nas obras duradouras que criamos em comum.
Se tiverem esta ideia sempre em mente, encontrarão algum sentido na vida e no trabalho e poderão formar uma opinião justa em relação aos outros povos e aos outros tempos.»

Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo'

domingo, 10 de outubro de 2010

A Sabedoria da Velhice


Aquele que envelhece e que segue atentamente esse processo poderá observar como, apesar de as forças falharem e as potencialidades deixarem de ser as que eram, a vida pode, até bastante tarde, ano após ano e até ao fim, ainda ser capaz de aumentar e multiplicar a interminável rede das suas relações e interdependências e como, desde que a memória se mantenha desperta, nada daquilo que é transitório e já se passou se perde.
 
Hermann Hesse, in 'Elogio da Velhice'



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Mentira



Porque é que, na maior parte das vezes, os homens na vida quotidiana dizem a verdade? Certamente, não porque um deus proibiu mentir. Mas sim, em primeiro lugar, porque é mais cómodo, pois a mentira exige invenção, dissimulação e memória. Por isso Swift diz: «Quem conta uma mentira raramente se apercebe do pesado fardo que toma sobre si; é que, para manter uma mentira, tem de inventar outras vinte». Em seguida, porque, em circunstâncias simples, é vantajoso dizer directamente: quero isto, fiz aquilo, e outras coisas parecidas; portanto, porque a via da obrigação e da autoridade é mais segura que a do ardil. Se uma criança, porém, tiver sido educada em circunstâncias domésticas complicadas, então maneja a mentira com a mesma naturalidade e diz, involuntariamente, sempre aquilo que corresponde ao seu interesse; um sentido da verdade, uma repugnância ante a mentira em si, são-lhe completamente estranhos e inacessíveis, e, portanto, ela mente com toda a inocência.

Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Evitar o Sofrimento


Privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados. Porque é que não nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Porque é que não nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, esforçamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer.


Sigmund Freud, in 'As Palavras de Freud'

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Disfarça e Chora




♪♫Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora
A pessoa que tanto queria
Antes mesmo de raiar o dia
Deixou o ensaio por outra
Oh! triste senhora
Disfarça e chora
Todo o pranto tem hora
E eu vejo seu pranto cair
No momento mais certo
Olhar, gostar só de longe
Não faz ninguém chegar perto
E o seu pranto oh! Triste senhora
Vai molhar o deserto
Disfarça e chora ♪♫

(Cartola)

 
Download: Disfar+ºa e Chora.mp3

O Justo Valor das Coisas Presentes


Não julgues as coisas ausentes como presentes; mas entre as coisas presentes pondera as de mais preço e imagina com quanto ardor as buscarias se não as tivesses à mão. Mas ao mesmo tempo toma cuidado, não seja caso que ao deliciares-te assim nas coisas presentes te habitues a sobrestimá-las; procedendo assim, se um dia as viesses a perder, davas em louco rematado.


Marco Aurélio, in 'Pensamentos'


Conhecimento sem Paixão seria Castrar a Inteligência



Como investigadores do conhecimento, não sejamos ingratos com os que mudaram por completo os pontos de vista do espírito humano; na aparência foi uma revolução inútil, sacrílega; mas já de si o querer ver de modo diverso dos outros, não é pouca disciplina e preparação do entendimento para a sua futura «objectividade», entendendo por esta palavra não a «contemplação desinteressada», que é um absurdo, senão a faculdade de dominar o pró e o contra, servindo-se de um e de outro para a interpretação dos fenómenos e das paixões. Acautelemo-nos pois, oh senhores filósofos!

Desta confabulação das ideias antigas acerca de um «assunto do conheciemnto puro, sem vontade, sem dor, sem tempo», defendamo-nos das moções contraditórias «razão pura», «espiritualidade absoluta», «conhecimento subsistente» que seria um ver subsistente em si próprio e sem órgão visual, ou um olho sem direcção, sem faculdades activas e interpretativas? Pois o mesmo sucede com o conhecimento: uma vista, e se é dirigida pela vontade, veremos melhor, teremos mais olhos, será mais completa a nossa «objectividade». Mas eliminar a vontade, suprimir inteiramente as paixões - supondo que isso fosse possível - seria castrar a inteligência.  

Friedrich Nietzsche, in 'Genealogia da Moral'

quarta-feira, 29 de setembro de 2010


Por outro lado, a solidão em si é muito relativa. Uma pessoa que tem hábitos intelectuais ou artísticos, uma pessoa que gosta de música, uma pessoa que gosta de ler nunca está sozinha. Ela terá sempre uma companhia: a companhia imensa de todos os artistas, todos os escritores que ela ama, ao longo dos séculos.

(Carlos Drummond de Andrade)



terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Voz do Amor


Nessa pupila rútila e molhada,
Refúgio arcano e sacro da Ternura,
A ampla noite do gozo e da loucura
Se desenrola, quente e embalsamada.

E quando a ansiosa vista desvairada
Embebo às vezes nessa noite escura,
Dela rompe uma voz, que, entrecortada
De soluços e cânticos, murmura...

É a voz do Amor, que, em teu olhar falando,
Num concerto de súplicas e gritos
Conta a história de todos os amores;

E vêm por ela, rindo e blasfemando,
Almas serenas, corações aflitos,
Tempestades de lágrimas e flores...

Olavo Bilac, in "Poesias"

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Primavera

♪♫Quando o inverno chegar
Eu quero estar junto a ti
Pode o outono voltar
Eu quero estar junto a ti

Porque (é primavera)
Te amo (é primavera)
Te amo, meu amor

Trago esta rosa (para te dar)
Trago esta rosa (para te dar)
Trago esta rosa (para te dar)

Meu amor...
Hoje o céu está tão lindo (sai chuva)
Hoje o céu está tão lindo (sai chuva)♪♫

Tim Maia



Composição: Cassiano / Sílvio Rochael

09-Tim Maia-Primavera [Vai Chuva].mp3

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Amor


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção, pode ser a pessoa mais importante de sua vida. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, se os olhos se encherem d’àgua, nesse momento, perceba, algo do céu te mandou um presente divino: O amor. Se um dia tiveres que pedir perdão um ao outro por algum motivo e,em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: Vocês foram feitos um pro outro! Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida. Mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. As vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar sem deixa-lo acontecer verdadeiramente! É o livre arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais,não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR!

- Carlos Drumond Andrade.




Se tu me amas,
ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
...tem de ser bem devagarinho,
...amada,
...que a vida é breve,
...e o amor
...mais breve ainda.

- Mario Quintana -




"Teria mesmo chegado ao ponto de dizer nutro? Teria, teria sim, teria dito nutro e relacionamento e rompimento e afeto, teria dito também estima e consideração e mais alto apreço e toda essa merda educada que as pessoas costumam dizer para colorir a indiferença quando o coração ficou inteiramente gelado."

- Caio F.Abreu -


segunda-feira, 20 de setembro de 2010


"Eu prefiro ser essa metamorfose
ambulante do que ter aquela velha
opinião formada sobre tudo...", cantou o
poeta Raul Seixas em sua bela canção.

Eu canto: "...Mas só até que as minhas
asas me transformem em puros sonhos
e esperança, pois ali estará terminada
minha metamorfose e terei encontrado
minha opinião definitiva, o amor".




É bom brincar de escrever


Entre linhas irei escrevendo... Em uma máquina de escrever datilografando... No computador em um documento novo no Word irei teclando. Nesse mundo virtual não mais rabisco folhas e, não mais rasgo papéis e, nem tampouco uso meus rascunhos para fazer bolinhas de papel para acerta o cesto de lixo a toa. Agora tudo difere do que era antes, mas ao mesmo tempo torna-se igual. Dedos sem calos... Sarados os dedos tornam-se ágeis ao digitar... Teclando as letras irão surgindo... Um barulhinho mais sonoro se faz em cada espaço para separar as palavras e mais um som do teclado se faz. É bom brincar de escrever!

sábado, 18 de setembro de 2010

TPM Virtual



E acordo e ligo o computador,
Todo dia a mesma coisa,
Internauta tem fama que não descansa
Mas ele se cansa desse ritual,
Diariamente, igual.

E pego a conexão a laço
E baixo os e-mails dos amigos e dos cachos.
As listas, que faço parte, tenho que ler.
Tanto e-mail inútil pra responder!

Nem queria falar dos deveres de casa.
Ter que formatar aqueles textos
Que nem conseguiram me sensibilizar
E certos questionários responder
Pra sabe-se lá quem ler.
O que interessa se eu gosto do vermelho ou do azul
Ou se eu como peixe cozido ou cru?

E o excesso de elogios?

"Como você é bonitinha!
Que gracinha!
Como escreve com sentimento!"

Metade desses elogios são fingimento,
Depois eu fico sabendo que a talzinha
Meteu o malho em mim pelas costas
E é isso que me desgosta.

Até poetas agora eu tenho que analisar
E não sei como faço isso
Mas se não faço corro mil riscos:
De ficar antipatizada
De ser espinafrada
De passar por abestada
E de listas ser descadastrada.

O tal do autor desconhecido,
Aquele tremendo ladrão
Vive no meu pé roubando a minha inspiração.

O meu site também não sei aonde vai parar.
Os meus leitores não param de escrever pra lá
E a minha preguiça me impede de respondê-los.

No reservado as fofocas vão rolando,
Falam de fulano e beltrano
E já estão me irritando!
Não quero saber quem deu,
Muito menos quem comeu!
Ainda recebo um monte de e-mails pesados
Que ficam entalados
E deixam meu Outlook travado.

É kkkkkkkk aqui
É hahahahaha ali,
Não sei de quê esse povo tanto ri.
Será que é desse monte de besteiras
Que tenho que engolir?

Acho que está na hora de entrar em web no mundo virtual,
Quem sabe assim eu volto ao normal!

Já sei o que você tá pensando:
"Nossa, como ela é mal humorada"
Que nada!
Tô apenas na minha TPM Virtual,
Vai me dizer que você nunca se sentiu igual?

Silvana Duboc